quarta-feira, 21 de março de 2007

O amor...


Não gosto da expressão "fazer amor", o amor não se faz... sente-se!
E a verdade é que se vai sentindo cada vez menos... se é que se sente, cada vez se crê menos no amor, cada vez é mais difícil o amor na verdadeira acepção da palavra... qual será a acepção?

Houve um tempo, em que julguei mesmo que um dia olharia para um homem e saberia no mesmo instante "é aquele" e todas as palavras do mundo seriam desnecessárias, pois a simples troca de olhares formaria uma linguagem universal entre dois bons amantes ... ainda acredito.

Aliás, costumo pensar no que será de facto o amor, há inúmeras definições, há belíssimos poemas, há maravilhosas melodias... mas terá alguém alguma vez percebido que o que sentia era mesmo amor?

Se é amor a sério, enfrenta tudo?

Se é amor incondicional, perdoa tudo?

Se é amor puro, dura para sempre?

Deixem-me acreditar que sim, não quero ouvir mais que afinal já não há amores verdadeiros, que as relações são como o fast-food, que o sexo prevalece aos sentimentos~. Deixem-me continuar na ingenuidade então.

O amor nada tem a ver com sexo, a amor sente-se na alma, o bom sexo vive-se na carne.

O sexo é prazer, intenso, luxúria, desejo, carne, fogo... e a amor, que palavra minúscula para tamanho sentimento, que significado reduto para tamanha felicidade, que letras vãs para inigualável estado de alma...

Cada vez apetece-me mais o amor, se calhar pela raridade, hoje em dia tem-se sexo a qualquer hora, tem-se prazer em qualquer canto, mas há vidas que passam sem um único segundo de amor, que tristeza... tenho medo.

Não sei definir o amor, provavelmente nunca o senti, mas se o senti, se aquilo era o amor, então foi de facto bom, tão completo e único que não arrisco a explicá-lo e dessa forma reduzi-lo!

Todas as definições de amor que li, achei sempre incompletas, todas as imagens que vi, sempre me pareceram ocas, mas os actos de amor, aqueles pequenos gestos imperceptíveis aos olhos alheios, aqueles sorrisos perdidos no meio da multidão, aquela vida partilhada sem nada a partilhar... isso deve ser amor.

Não devem haver almas gémeas, os gémeos nem sempre se dão bem e as almas dos seres que se amam, provavelmente complementam-se no meio das suas diferenças.

Se calhar o amor nem existe, por isso é que há tantas definições para o mesmo sentimento, se calhar todos buscamos com tanta intensidade algo de tão profundo e na realidade o que há é só vontade imensa de nos darmos a quem nos quer bem, e fazer o bem a quem nem sempre nos conhece....

sexta-feira, 16 de março de 2007

Apetece...


Apetece-me o amor, ou talvez a sensação pura, livre, inocente e inconsequente que ele me provoca.

Apetece-me a paixão arrebatadora, irracional, impulsiva, intensa, verdadeiramente apoteótica...

Amagia das borboletas no estômago, a loucura dos actos impensados, a fantasia do eterno, a utopia da perfeição... apetecem as noites sem sono, os dias sem fome, as palavras sem sentido e o olhar perdido a procura de alguém... sobretudo sentir que é aquele alguém...

Esperar um dia inteiro por um beijo que sei, vai valer cada minuto de espera e sorrir secretamente com a memória do ultimo entralaçar de mãos.

Apetece-me ter um alguém a quem entregue a alma para me cuidar, a quem dê o que sou e me ame por isso mesmo, a quem conte todos os meus medos e segredos, e num só abraço ou num mero afago consiga dissipar....
alguém que eu possa cuidar e mimar, contar os meus pecados e pecar em perfeita sintonia.

Acordar numa manhã de chuva, dentro de um pijama, despenteada e ensonada, olhar para o lado e perceber que não me falta nada, saber num olhar que estou perfeita e sentir num beijo o calor a brotar do âmago...

Apetece-me levitar com um olhar, roborizar com um sorriso, transpirar com um gesto e gaguejar com uma atitude.

Apetece-me viver por e para alguém, apetece-me esquecer limites e racionalidades, pensar que tudo é para sempre e que o amor é uma condição de vida da qual não abdico mais...